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Você sabe o que Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Shakespeare e Maquiavel têm em comum? E ainda junto destes, o que têm a nos dizer Galileu Galilei, Cervantes e Montaigne, que eram contemporâneos?

Se você pensou em Renascimento, acertou.

Todas essas personalidades, dentre muitas outras, integraram um dos perío­dos mais significativos da história em termos de desenvolvimento criativo e lite­rário. E, principalmente, dentro de um contexto de enfraquecimento da Igreja Católica, que dominava a cultura da Idade Média, dentro de uma visão teocên­trica. Foi uma época que marcou a transição para a Idade Moderna e, para alguns historiadores, se caracterizou como a fase do auge do período medieval.

Dessa forma, o desenvolvimento comercial, o início das grandes navegações
e a agitada atividade cultural do ocidente fez nascer um sentimento de huma­nidade, em que as ações fossem voltadas para o homem. No início, esse senti­mento humanista partiu de uma elite, formada por intelectuais ricos, que busca­vam, principalmente na cultura greco-romana, o ideal perfeito de civilização. Os movimentos dessa elite refletiram em todo o ocidente e mudaram as concep­ções de sociedade, de cultura e de religião da época. Assim, o período do Renascimento vai do fim do século XIV até o início do século XVII.

Dentro desse processo, o que mais caracteriza o Renascimento é o antropo­centrismo em oposição ao teocentrismo, em que o homem passou a ser o cen­tro de tudo em detrimento de um deus, disseminado pela Igreja Católica. Entende-se o Renascimento como um movimento histórico que buscava com-preender o homem, com o pensamento de que a verdade só seria encontrada através da experimentação e observação. Esse foi um prenúncio do pensa­mento científico. Para os renascentistas, a vida terrena também era importante, e o homem deveria buscar o prazer de viver e a beleza da natureza.

Além do antropocentrismo, podem também ser apontados como valores e ide­ais defendidos pelo Renascimento, o Hedonismo, o Racionalismo, o Otimismo e o Individualismo, bem como um tratamento leigo dado a obras religiosas,
a valorização do abstrato, dentro da matemática, além de algumas noções artísticas como proporção e profundidade, e a introdução de novas técnicas artísticas, conforme a pintura a óleo.

Esse movimento histórico ocorreu inicialmente na Itália, mais especificamente, na cidade de Florença, onde os textos clássicos passaram a ser estudados
e as ideias renascentistas foram difundidas para outras cidades italianas
e, posteriormente, para outras regiões da Europa.

No viés renascentista, podemos também falar a respeito de outro termo muito presente neste período e que repercutiu em diversas áreas da sociedade, inclu­indo até mesmo e, significativamente, a Psicologia, que emergiu posterior­mente, na transição do século XIX para o XX: o Humanismo

O Humanismo manifesta o interesse que os intelectuais e artistas dessa época tiveram em tratar e explorar os assuntos que estivessem intimamente ligados
à figura do homem. Com isso, seria firmada a convicção de que os renascen­tistas desejavam uma clara ruptura com os valores do pensamento medieval. Nesse ínterim, é possível associar Humanismo ao Renascimento.

A origem do Humanismo em si se deu por volta do século IV a.e.C., com os sufistas. Com o tempo, esse movimento foi abafado, fazendo com que o ho­mem se voltasse para outros campos. Mais tarde, já no Renascimento, essa questão volta a ser tratada sob outra ótica, justamente por ter sido um movi­mento de protesto contra a inapropriação do sujeito, refletindo questões essen­ciais para o desenvolvimento da humanidade, sendo por isso, um movimento de vanguarda.

Os primeiros usos do termo Humanismo remetem aos que se dedicavam às artes liberais: história, poesia, gramática e filosofia. E foi essencial para o surgi­mento da Modernidade.

O Humanismo também contém um retorno às fontes de cultura clássica (grega e latina) em especial a partir da Sofística, quando grupos de mestres viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas levando conhecimento. Os sofistas eram mestres na arte da retórica.

Sendo assim, o Humanismo pode ser entendido sob quatro prismas:

1-        Movimento de espírito que tentou resgatar a dignidade do espírito humano, através de um retorno às humanidades;

2-        O Humanismo se refere ao problema filosófico que diz respeito aos seres humanos no esforço de compreender um mundo de experiências humanas com os recursos do espírito humano;

3-        Doutrina através da qual o homem deve se ater exclusivamente ao que é da ordem do humano; sendo, portanto, o homem forte e poderoso;

4-        Doutrina que acentua a oposição, no homem, entre os limites do que é humano e do que é animal.

No campo das artes plásticas e da medicina, o Humanismo esteve repre­sentado por obras e estudos que realizavam um exame detalhado da anatomia e do funcionamento do corpo humano. Na literatura, as paixões e dilemas foram elementos centrais que apontavam para os sentimentos que interpreta­vam a natureza do homem. Na política, é possível observar que a relação dos príncipes para com seus súditos tematizou as formas do homem agir perante a sociedade.

Foi no início do século XVI, já no auge do Renascimento, que ocorreram dois acontecimentos decisivos no âmbito intelectual, religioso, moral e político da Europa, como a invenção da imprensa, por Johannes Gutenberg, e a Reforma Protestante, desencadeada por Martinho Lutero.

Michelly Ribeiro

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